Amanhã, recomeçam as aulas. Como no velho meme, em que o personagem diz "Mamãe, Não Quero Ir À Escola"; a mãe responderia: "Tens De Ir, Filho; Sois Professor". E riríamos todos, sendo isso verdade.
Mas não é bem assim. Estou "cansado" de estar de "férias", no sentido de que todas as possibilidades de fruição do tempo livre excessivo já se esgotaram, graças a falta do danado do DINHEIRO, e que dá uma ansiedade, boa e ruim, saber que nossas possibilidades de agir e ser no mundo estão prestes a ressurgir. Já dizia o Robin Williams que "isto fica feliz em ser útil": é ruim demais ver a vida passar.
"Ver a vida passar", por sua vez, é um sintoma de falta de projetos e atividades, especialmente as com metas bem concretas. Tenho jogado joguinhos? Sim. Ido à academia? Também, bastante. Lido? Quando quero; terminei dois livros recentemente (resenho depois [ou não]). Mas tudo fica sem significado, especialmente quando se torna equivalente às tarefas domésticas: copos que se sujam e devem ser relavados, banheiros e caixas de areia que começam a feder, a constante manutenção sem resultado eterno. Que é meio que a nossa vida de adulto mesmo.
Dito isso, estou mantendo ouvidos mais abertos ao mundo. Acima de tudo, ouvindo a voz da preguiça, e me perguntando se minhas ambições são realmente necessárias, e se sim, de que forma lidar com elas. Foi a pergunta que fiz quando comecei a lecionar, e senti que iria parar de Escrever. Será que era necessário continuar? Quais necessidades a tal Escrita Criativa nutria em minha vida? Considerando a limitação do meu tempo, ainda era válido ficar queimando neurônio com editais, redes sociais, concursos e por aí vai?
Na época, a resposta provou-se ser "não". Se, num subemprego de manutenção constante, eu precisava me sentir inteligente de alguma forma, agora, em um emprego de atenção constante a crianças e adolescentes entediados e briguentos, a afetação de inteligência viria por padrão. Notem que as pessoas mais burras que vocês conheceram podem ter sido alguns de seus professores. Se antes, era importante escrever para registrar meus sentimentos, ideias, e aquelas coisas intangíveis, agora, é essencial escrever conteúdo útil e burocracias inúteis. E, pra resumir, se antes, comunicação era um luxo para se almejar, agora, é o tormento dos meus dias.
No fim das contas, tudo é meio cíclico. Um espiral, na verdade, como dizia uma professora minha. A gente anda, parece dar voltas, mas com sorte, vamos parar em outro lugar. E assim tem sido com a escrita. Terminei um conto recentemente, e não irei postar na internet: quero fingir que vou usar pra uma dessas coletâneas que ninguém lê, mas alguns compram. Pretendo fazer mais, e juntar, para ver se dão cria. E pretendo não parar de novos, agora que as necessidades são outras.
Mas quais? Fazer sentido da vida? Ter uma vida fora da escola? Buscar me comunicar mais, por meios indiretos ou não? Talvez a resposta seja se perder no mistério.
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